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Transtorno Dismórfico Corporal

A cena é comum, a adolescente se olha no espelho, não gosta do que vê e entra em crise – não quer sair de casa, não quer ver ninguém, tem muita vergonha de si mesma. Para algumas pessoas essa “crise” pode durar anos e só foi diagnosticada mais tarde como dismorfia corporal ou transtorno dismórfico corporal.

 

Constantemente confundida com uma preocupação superficial, relativamente comum em tempos de formas perfeitas em revistas, programas de TV e redes sociais, o maior perigo da dismorfia está no diagnóstico difícil. Afinal, não faltam por aí mulheres e homens querendo ser mais magros ou fortes, insatisfeitos com a aparência e lançando mão de todos os tipos de ginásticas, dietas, suplementos, anabolizantes, tratamentos estéticos e até intervenções cirúrgicas em busca de uma beleza irreal. Mas a questão envolvendo a doença é mais profunda, a dismorfofobia não está relacionada à vaidade, é mais uma questão de aceitação. O pessoa enxerga um defeito muito maior do que ele realmente é e a vida dela fica restrita àquela característica. O que torna o acesso ao tratamento mais complicado é a dificuldade que o doente tem em encontrar apoio e a vergonha que sente por sofrer tanto com sua forma física.

Além dos já mais do que discutidos exigentes padrões de beleza, da pressão dos amigos, da sociedade e até dos pais, existe um fator obrigatório para o desenvolvimento da doença, predisposição genética.  A doença deforma a autoimagem corporal da mesma forma que outros transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Pode ser associada a uma fragilidade do ego, mas sempre existe uma predisposição genética. A diferença essencial entre os transtornos alimentares e a dismorfia é que os primeiros são relacionados com as questões alimentares, o peso, o doente nunca se enxerga magro o suficiente; já a segunda é voltada à insatisfação com a imagem corporal concentrada, a pessoa “implica” com uma característica específica ou geral, o doente não gosta de alguma ou várias coisas em si mesmo.

 

Quando a pessoa se olha no espelho é como se sofresse uma alucinação. Ela pode até ter um nariz proeminente ou estar levemente acima do peso, mas potencializa aquilo a um nível exagerado. Imagina que as pessoas vão olhar para o defeito e aquilo vai virar o foco principal.

É importante ressaltar que a dismorfia não é uma doença exclusiva dos adolescentes, ela atinge todas as faixas etárias e pode ser desencadeada sob diversas circunstâncias, inclusive logo cedo, na infância e dentro de casa. Um ambiente familiar que não reconhece a identidade da pessoa, a falta de apoio a pessoa dentro de casa, a dificuldade em conseguir resolver seus conflitos são situações que agravam o problema. A educação da criança é fundamental para definir se ela terá ou não potencial para desenvolver a dismorfia.

 

Os pensamentos persistentes sobre “defeitos” na aparência corporal são praticamente delirantes, além de intrusivos à consciência, difíceis de resistir e em geral acompanhados por compulsões rituais de olhar-se no espelho constantemente, eles não são acompanhados de nenhuma crítica por parte do paciente.

 

Essas idéias obsessivas sobre defeitos no próprio corpo são muito semelhantes aos pensamentos obsessivos dos pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, e em geral são egodistônicas, ou seja, estão em desacordo com o gosto da pessoa, portanto, fazem a pessoa sofrer.

 

A co-morbidade do Transtorno Dismórfico Corporal com Depressão e Ansiedade chega a 50% dos casos, especialmente com quadros de ansiedade tipo Pânico. De fato, alguns autores acham que o Transtorno Dismórfico Corporal raramente aparece sem alguma comorbidade.

 

Por não ser uma doença de identificação simples, os portadores do transtorno dismórfico sofrem por muitos anos com um problema que acabam acreditando ser normal na vida das pessoas “feias” e se tornam inseguros, depressivos e sempre insatisfeitos. Muitas pessoas podem portar a doença sem saber. Elas não percebem que é um transtorno emocional, acreditam que se corrigirem aquele defeito vão resolver sua vida.

E, nesse meio-tempo, o quadro tende a piorar: geralmente evolui para depressão e o doente recorre a variados métodos para corrigir o que o incomoda.

 

Levando em conta que a vaidade é inerente à natureza do homem, há muitos questionamentos sobre qual é o limite que separa a simples preocupação com a aparência da dismorfia corporal, a resposta é, quando essa preocupação passa dos limites. O alerta está no dia a dia: o transtorno existe quando prejudica a vida da pessoa, ela passa a viver em função daquilo. A pessoa é tão preocupada com a aparência que não consegue desempenhar tarefas simples do cotidiano. Esse é o diferencial do diagnóstico. Isso significa que, além do especialista, quem ajuda a reportar a identificação da doença é o próprio paciente e as pessoas próximas a ele.

 

Além da preocupação exagerada com a aparência, existem outros sintomas que sinalizam a doença, insatisfação permanente com tudo e consigo mesmo, mau humor constante, irritabilidade, dificuldade em desempenhar tarefas, dificuldade em se relacionar, timidez em excesso, tristeza e depressão são comuns nesta doença.

 

O tratamento exige, sobretudo, paciência. Normalmente é psiquiátrico, com antidepressivos, psicoterapia e acompanhamento familiar. O efeito dos remédios para a dismorfia é secundário, melhora os quadros de depressão e ansiedade e, por consequência, diminui o sofrimento do paciente e aumenta a autopercepção. Para os casos menos graves, o doente pode se beneficiar bastante da psicoterapia. Esta é fundamental e deve ser, preferencialmente, comportamental e cognitiva. O objetivo é modificar a conduta da pessoa, recuperando sua autoestima e superando o medo do fracasso social.

 

DR. GUILHERME PADILHA DO CARMO
CIRURGIÃO PLÁSTICO | CRM 5273450-0

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